Falemos, näo de um pensar do Mundo, näo de um pensar Ocidental, näo de um pensar Oriental, germânico, anglïstico, francês... Recusamos, assim, todo e qualquer pensar geograficamente engavetado, emoldurado, onde as excepcöes säo tantas e onde, apenas um contra-exemplo bastará para destruir uma proposicäo que se pretenda Universal;
Falamos, contudo, de um pensar que nos rodeia, seja ele por vezes humano ou näo, por vezes germânico ou näo, por vezes portuguës ou näo.
Notemos, também, que recusamos um pensar do mundo do tipo universal, nessa tal estranha figura da unidade.
Circunscrevemo-nos, assim, ao pensar que nos rodeia, cabendo pois, a quem a este pensamento se identificar, estabelecer as ligacöes que encontrar necessárias.
domingo, 24 de janeiro de 2010
domingo, 20 de dezembro de 2009
Duas cabeças pensam melhor do que uma?
Manuel José, selecionador nacional de Angola e antigo treinador do Benfica, não tem dúvidas quanto ao desfecho do clássico de domingo - o FC Porto é favorito.
JOSÉ CARLOS FREITAS E PAULO SÉRGIO
o.0
Eu não percebi. Não tem dúvidas quanto ao desfecho? O FC Porto é favorito? Não percebi.
Até porque, no final da entrevista, escreve-se:
R - Mas, quem vai ganhar?
MJ - Da forma como as coisas estão, a responsabilidade do FC Porto subiu, porque o Benfica tem muita gente lesionada a castigada e terá dificuldades em apresentar a melhor equipa. A responsabilidade do Benfica desceu, por causa disso, e pode ser um factor importante de equilíbrio que pode levar o Benfica a ganhar o jogo. Mas quem vai ganhar... não sei.
ZÉ E PAULO:
ONDE RAIO ESTÁ A AUSÊNCIA DE DÚVIDA QUANTO AO DESFECHO ???
JOSÉ CARLOS FREITAS E PAULO SÉRGIO
o.0
Eu não percebi. Não tem dúvidas quanto ao desfecho? O FC Porto é favorito? Não percebi.
Até porque, no final da entrevista, escreve-se:
R - Mas, quem vai ganhar?
MJ - Da forma como as coisas estão, a responsabilidade do FC Porto subiu, porque o Benfica tem muita gente lesionada a castigada e terá dificuldades em apresentar a melhor equipa. A responsabilidade do Benfica desceu, por causa disso, e pode ser um factor importante de equilíbrio que pode levar o Benfica a ganhar o jogo. Mas quem vai ganhar... não sei.
ZÉ E PAULO:
ONDE RAIO ESTÁ A AUSÊNCIA DE DÚVIDA QUANTO AO DESFECHO ???
Normal é ser estúpido I
O estranho:
Procuro um carregador para um portátil. Contudo, esse portátil é de linha empresarial, pelo que, talvez não exista tal carregador disponível ou, a estar, não será dos mais acessíveis... o que acha?
Normal:
Carregador? Cabo de alimentação e o alimentador, não?
O estranho:
Com certeza. :)
Normal:
Só vendo o portátil. Tem-lo consigo? [seria Tem-no porque o dito não conhecia o estranho de lado nenhum]
O estranho:
Não. Mas sei o nome do Modelo.
Normal:
Pois... mas sabe o nome do Modelo? [sim, o normal aqui, estranhou]
O estranho:
Sim. HP8530p. Elitebook.
Normal:
Poooooisss.... Para esse modelo é complicado... Já viu os carregadores de HP que temos?
O estranho:
Já. Não sei se servirão para este modelo.
Normal:
Poooooiss....
O estranho:
o.o
Normal:
É que isso depende da voltagem. Sabe a voltagem?
O estranho:
Acho que serão 120w.
Normal:
Poooois... se fosse 90W. Para 120W não temos nada. Só para carros.
O estranho:
Pronto... Obrigado.
A conversa repetiu-se em vários estabelecimentos da especialidade variada: Worten, Fnac, Vobis.
O estranho pergunta a outro estranho, e este logo lhe diz, estranhamente, que estava a ler que existiam várias voltagens... etc...etc... Uma conversa muito estranha.
Isso ajudou-o a não tomar decisões precipitadas. Afinal, e apesar de tudo, note-se que várias alternativas foram dadas pelo Normal:
Normal:
Eu não sei. Mas... deve ser este.
O estranho:
Porque o diz?
Normal:
Eu parece-me que este vai funcionar mas, se não for, você poderá trocar.
O estranho:
o.O [pensa já sem alento... "mas porquê essa escolha e não outra?"]
Depois de uma noite de sono, e frustrado da impossibilidade em se adquirir tal quimera, o estranho vai ao site da HP e procura um carregador para encomendar.
Nessa altura, encontra as diferentes possibilidades: 90w, 120w, 230w. Dizendo em voz alta:
O estranho:
É à escolha! É indiferente a voltagem!
Dirige-se a uma outra loja de especialidade e, desta vez, sem nada perguntar, encontra um carregador da HP de 90w que resolve comprar.
Após 3 Lojas, e 4 ou 5 funcionários diferentes - alguns com umas camisolas a dizer HP - unânimes: A voltagem interessa! Sem pestanejar, sem uma mínima hesitação. Todos, sem excepção, estavam absolutamente errados.
Enfim, é normal. É estupidamente normal.
Procuro um carregador para um portátil. Contudo, esse portátil é de linha empresarial, pelo que, talvez não exista tal carregador disponível ou, a estar, não será dos mais acessíveis... o que acha?
Normal:
Carregador? Cabo de alimentação e o alimentador, não?
O estranho:
Com certeza. :)
Normal:
Só vendo o portátil. Tem-lo consigo? [seria Tem-no porque o dito não conhecia o estranho de lado nenhum]
O estranho:
Não. Mas sei o nome do Modelo.
Normal:
Pois... mas sabe o nome do Modelo? [sim, o normal aqui, estranhou]
O estranho:
Sim. HP8530p. Elitebook.
Normal:
Poooooisss.... Para esse modelo é complicado... Já viu os carregadores de HP que temos?
O estranho:
Já. Não sei se servirão para este modelo.
Normal:
Poooooiss....
O estranho:
o.o
Normal:
É que isso depende da voltagem. Sabe a voltagem?
O estranho:
Acho que serão 120w.
Normal:
Poooois... se fosse 90W. Para 120W não temos nada. Só para carros.
O estranho:
Pronto... Obrigado.
A conversa repetiu-se em vários estabelecimentos da especialidade variada: Worten, Fnac, Vobis.
O estranho pergunta a outro estranho, e este logo lhe diz, estranhamente, que estava a ler que existiam várias voltagens... etc...etc... Uma conversa muito estranha.
Isso ajudou-o a não tomar decisões precipitadas. Afinal, e apesar de tudo, note-se que várias alternativas foram dadas pelo Normal:
Normal:
Eu não sei. Mas... deve ser este.
O estranho:
Porque o diz?
Normal:
Eu parece-me que este vai funcionar mas, se não for, você poderá trocar.
O estranho:
o.O [pensa já sem alento... "mas porquê essa escolha e não outra?"]
Depois de uma noite de sono, e frustrado da impossibilidade em se adquirir tal quimera, o estranho vai ao site da HP e procura um carregador para encomendar.
Nessa altura, encontra as diferentes possibilidades: 90w, 120w, 230w. Dizendo em voz alta:
O estranho:
É à escolha! É indiferente a voltagem!
Dirige-se a uma outra loja de especialidade e, desta vez, sem nada perguntar, encontra um carregador da HP de 90w que resolve comprar.
Após 3 Lojas, e 4 ou 5 funcionários diferentes - alguns com umas camisolas a dizer HP - unânimes: A voltagem interessa! Sem pestanejar, sem uma mínima hesitação. Todos, sem excepção, estavam absolutamente errados.
Enfim, é normal. É estupidamente normal.
Etiquetas:
Bahrg,
Claro que Sim,
Então não se vê logo?,
Evidentemente,
Normal,
Óbvio
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Bem vinda. :-)
Geração Matrix (riam-se, máquinas, deste espectáculo de marionetas!): uma tragédia em acto ou como enlouquecer em 15 dias apenas!
1. Mãe do Mr. Smith (sentada na mesa de pequeno-almoço): Ainda bem que está cá em casa. É a única pessoa com quem aqui posso falar sem que me chame maluca.
1.1. Mr- Smith entra em cena: Mãe, saia daí que nós queremos tomar o pequeno-almoço.
(Pois é… Parece que o papelinho que tens a dizer que terminaste o curso de Direito e que sabes “muito” sobre o assunto – porque a quantidade é que define quem sabe e quem não sabe; queremos é números, certezas de merda que não têm qualquer sentido, mas nas quais acreditamos piamente porque nos deixamos dominar pelo medo de não ser alguém, como se não fôssemos já, sendo simplesmente! Mas, não, não podemos ser os diminuídos da sociedade, ai que dói tanto, o meu egozinho não aguenta tanta violência! O socialmente correcto é que é! Temos de mostrar, o ser já dá mais trabalho e eu tenho de estar no escritório cedo, não posso perder tempo com isso. Quero é manta beach! O pensar não está in nem nunca esteve.
Sim, querido Smith, se estivesses em frente de outras pessoas, então, sim, tratavas bem a tua querida mãezinha, não se vá pensar que não és pessoa respeitável, mas como ninguém está a ver, podes tratá-la abaixo de cão e congratular-te com isso. Se te fizessem o mesmo, choravas com todo o teu corpo injustiça; não sendo esse o caso, o que importa o outro? Não és tu quem sofre, por isso, que te deixem estar no teu canto de pó, que, não tarda, tens de ir para o escritório e não podes perder tempo a pensar nos outros.
Vê lá tu, Smith, que a tua mãe prefere a minha companhia, eu, pobre de mim, que de Direito não sei um boi (diminuída, já!), à tua, doutorazinha do Direito (ou deveria antes dizer, do Torto?!), esse grande curso que forma homens estrangulados pela própria gravata e mulheres, como tu, “politica e socialmente correctas” (se me conseguires explicar o que isso é… Mas NÃO! É assim porque sim, porque está estipulado nas leis e nos protocolos e esses é que contam! Pois… E que tal assim: ambos foram feitos por homens e, mais, REFEITOS. Pois, as leis mudam, não são absolutas. As tuas certezazinhas estão a ir pelo cano abaixo, é? Que peninha…). De que te serve ganhares a puta do dinheiro ao fim do mês se nem sequer consegues ser mais do que asco? Isso é que te devia ferir o ego, não era seres ou não socialmente reconhecida. A sociedade pensa em termos de utilidade, és objecto, és meio, és uma grandessíssima PILHA!!!!!!!!!!!!!!Mas tu não és uma pilha qualquer, não é? És uma pilha com um bom ordenado ao fim do mês e com um Mercedes descapotável. Quantas pilhas têm o mesmo? Ah, pois é!
2. Sellers: Não podes estar a trocar mensagens quando estão outras pessoas presentes, a conversar. (Mas porquê, se elas não estão a falar comigo?). Porque é um acto de egoísmo, deve dar-se atenção às pessoas. (E quem é que estipulou isso)
?) Não vamos começar a desconversar, pois não? (Diz-me lá quem é que diz isso, onde é que isso vem escrito e porque é que isso é legítimo) DIGO EU que sou teu pai, sou mais velho e tenho mais experiência! (Experiência de quê?! Eu prejudiquei alguém por acaso?) Prejudicaste porque não deste atenção! (Continuo sem perceber. E mesmo que tenha prejudicado, se a minha intenção não era essa, não podes dizer que eu fui egoísta). Posso sim porque o resultado é que conta. (Então quer dizer que uma pessoa que mate acidentalmente e outra que mate propositadamente estão, ambas, ao mesmo nível). Em Direito, são as duas condenadas porque o resultado foi o mesmo: um dano. (Isso é parvo. E se eu quiser fazer bem a uma pessoa e, acidentalmente, acabar por lhe fazer mal, também sou culpada?) QUERES DISCUTIR DIREITO COMIGO?!
(Não, quero discutir ética. Porque é que o Código é uma verdade absoluta?!) TU SABES QUE NÃO TENS RAZÃO (não, não sei, mas se me explicares porquê, eu talvez compreenda e mude de opinião, boa?)
FRASE DO DIA: “Tu TENS de te reger pelas leis e não pelos teus pensamentos éticos egoístas que achas estarem certos!! (E sai de cena o sellers) – atenção à contradição nos termos: éticos e egoístas. MORAL É QUE É, essa é que vem nos livros de Direito, qual Ética!
MAS O QUE É QUE SE PASSA?!?!?!? Ah, pois é, eu tenho que seguir aquilo que está estipulado, independentemente de concordar ou não, porque foram pessoas sábias que o estipularam. E se questionássemos isso? Não estou a pedir para abolir e para entrarmos numa anarquia, porra, estou só a pedir que me dês razões para eu acreditar nisso! Não se trata de ter razão ou não, de pôr em causa a inteligência do outro ou não, trata-se de diálogo!!!!!!!!!!!!! De tentar chegar a algum lado juntos e, mesmo que se não chegue, desbravar algum caminho. Será tão difícil assim? Qual é o problema em dizer: sim, pensando dessa maneira, será mais justo como dizes. Não se põem em causa as leis, pois é (ainda não percebi muito bem porquê, mas como és tu a dizer, deves ter razão, porque tu tens um diploma e eu não; ah, claro, e experiência de vida! Que interessa teres vivido mais se, durante todo este tempo, tens estado adormecido?!?!?!?!). Ah, espera, já sei: a inteligência não é para pensar senão nos assuntos do escritório, porque isso é que dá dinheiro ao fim do mês e um carrinho Mercedes descapotável, para eu, aos Domingos, ir passear a minha carequinha ao sol por Lisboa inteira. Ela bem merece, depois de todos os dias enfiados naquela porcaria de cubículo! Olha como reluz ao sol! Como me pude eu esquecer que a felicidade é estabilidade, é segurança, é certezas absolutas enraizadas no meu cerebrozinho controlado pela sociedade e pelas suas estipulações?!
De certeza que me irias dizer (se não fugisses da conversa com medo de, por momentos, veres que há outras ideias para além da tua, igualmente legítimas e não necessariamente melhores, porque isso é, adivinha, RELATIVO!) qualquer coisa do tipo: se toda a gente questionasse as leis, isso tornar-se-ia numa espécie de anarquia, na qual cada um faria o que mais lhe aprouvesse e onde a convivência não seria possível. Como se ela fosse, hoje em dia! Olha para as pessoas, Sellers! E não precisas de ir muito longe… Olha para o Smith, que quer internar a mãe! E questionar não é abolir radicalmente: é ANALISAR. Eu sei que esta palavra é já vaga para ti, mas coragem, homem! É diálogo. Achas que a sociedade não é já podre o suficiente?! Não se pensa, já, aceita-se sem mais. Compreender o outro pelo outro e não pelas leis. Um criminoso não o é porque matou alguém!!!! Isso é completamente IDIOTA! O resultado foi este, logo, és isto??? Mas que raio?! Uma pessoa é mais do que uma acção, meu! E pode tê-la feita por um bem maior, assim tido naquela situação. E então, Sellers? Se queres Direito, vamos, então, a Direito: legítima defesa não é condenável e, no entanto, o resultado é o mesmo: morte de um homem!!!!! E agora, Sellers?!?!?!?! Fica lá com o ossinho, eu só quero um PORQUÊ. E isso não é verdade absoluta, é só caminho para outros pensamentos. E mesmo que, num momento, acredite que essa é a afirmação que acho mais adequada (para uma cirscunstância), espero estar sempre apta a receber a visão dos outros e avaliá-la com espírito crítico ( o que é MUITO DIFERENTE DE DIZER, assim, sem mais, NÃO TENS RAZÃO E TU SABES ISSO).
1. Mãe do Mr. Smith (sentada na mesa de pequeno-almoço): Ainda bem que está cá em casa. É a única pessoa com quem aqui posso falar sem que me chame maluca.
1.1. Mr- Smith entra em cena: Mãe, saia daí que nós queremos tomar o pequeno-almoço.
(Pois é… Parece que o papelinho que tens a dizer que terminaste o curso de Direito e que sabes “muito” sobre o assunto – porque a quantidade é que define quem sabe e quem não sabe; queremos é números, certezas de merda que não têm qualquer sentido, mas nas quais acreditamos piamente porque nos deixamos dominar pelo medo de não ser alguém, como se não fôssemos já, sendo simplesmente! Mas, não, não podemos ser os diminuídos da sociedade, ai que dói tanto, o meu egozinho não aguenta tanta violência! O socialmente correcto é que é! Temos de mostrar, o ser já dá mais trabalho e eu tenho de estar no escritório cedo, não posso perder tempo com isso. Quero é manta beach! O pensar não está in nem nunca esteve.
Sim, querido Smith, se estivesses em frente de outras pessoas, então, sim, tratavas bem a tua querida mãezinha, não se vá pensar que não és pessoa respeitável, mas como ninguém está a ver, podes tratá-la abaixo de cão e congratular-te com isso. Se te fizessem o mesmo, choravas com todo o teu corpo injustiça; não sendo esse o caso, o que importa o outro? Não és tu quem sofre, por isso, que te deixem estar no teu canto de pó, que, não tarda, tens de ir para o escritório e não podes perder tempo a pensar nos outros.
Vê lá tu, Smith, que a tua mãe prefere a minha companhia, eu, pobre de mim, que de Direito não sei um boi (diminuída, já!), à tua, doutorazinha do Direito (ou deveria antes dizer, do Torto?!), esse grande curso que forma homens estrangulados pela própria gravata e mulheres, como tu, “politica e socialmente correctas” (se me conseguires explicar o que isso é… Mas NÃO! É assim porque sim, porque está estipulado nas leis e nos protocolos e esses é que contam! Pois… E que tal assim: ambos foram feitos por homens e, mais, REFEITOS. Pois, as leis mudam, não são absolutas. As tuas certezazinhas estão a ir pelo cano abaixo, é? Que peninha…). De que te serve ganhares a puta do dinheiro ao fim do mês se nem sequer consegues ser mais do que asco? Isso é que te devia ferir o ego, não era seres ou não socialmente reconhecida. A sociedade pensa em termos de utilidade, és objecto, és meio, és uma grandessíssima PILHA!!!!!!!!!!!!!!Mas tu não és uma pilha qualquer, não é? És uma pilha com um bom ordenado ao fim do mês e com um Mercedes descapotável. Quantas pilhas têm o mesmo? Ah, pois é!
2. Sellers: Não podes estar a trocar mensagens quando estão outras pessoas presentes, a conversar. (Mas porquê, se elas não estão a falar comigo?). Porque é um acto de egoísmo, deve dar-se atenção às pessoas. (E quem é que estipulou isso)
?) Não vamos começar a desconversar, pois não? (Diz-me lá quem é que diz isso, onde é que isso vem escrito e porque é que isso é legítimo) DIGO EU que sou teu pai, sou mais velho e tenho mais experiência! (Experiência de quê?! Eu prejudiquei alguém por acaso?) Prejudicaste porque não deste atenção! (Continuo sem perceber. E mesmo que tenha prejudicado, se a minha intenção não era essa, não podes dizer que eu fui egoísta). Posso sim porque o resultado é que conta. (Então quer dizer que uma pessoa que mate acidentalmente e outra que mate propositadamente estão, ambas, ao mesmo nível). Em Direito, são as duas condenadas porque o resultado foi o mesmo: um dano. (Isso é parvo. E se eu quiser fazer bem a uma pessoa e, acidentalmente, acabar por lhe fazer mal, também sou culpada?) QUERES DISCUTIR DIREITO COMIGO?!
(Não, quero discutir ética. Porque é que o Código é uma verdade absoluta?!) TU SABES QUE NÃO TENS RAZÃO (não, não sei, mas se me explicares porquê, eu talvez compreenda e mude de opinião, boa?)
FRASE DO DIA: “Tu TENS de te reger pelas leis e não pelos teus pensamentos éticos egoístas que achas estarem certos!! (E sai de cena o sellers) – atenção à contradição nos termos: éticos e egoístas. MORAL É QUE É, essa é que vem nos livros de Direito, qual Ética!
MAS O QUE É QUE SE PASSA?!?!?!? Ah, pois é, eu tenho que seguir aquilo que está estipulado, independentemente de concordar ou não, porque foram pessoas sábias que o estipularam. E se questionássemos isso? Não estou a pedir para abolir e para entrarmos numa anarquia, porra, estou só a pedir que me dês razões para eu acreditar nisso! Não se trata de ter razão ou não, de pôr em causa a inteligência do outro ou não, trata-se de diálogo!!!!!!!!!!!!! De tentar chegar a algum lado juntos e, mesmo que se não chegue, desbravar algum caminho. Será tão difícil assim? Qual é o problema em dizer: sim, pensando dessa maneira, será mais justo como dizes. Não se põem em causa as leis, pois é (ainda não percebi muito bem porquê, mas como és tu a dizer, deves ter razão, porque tu tens um diploma e eu não; ah, claro, e experiência de vida! Que interessa teres vivido mais se, durante todo este tempo, tens estado adormecido?!?!?!?!). Ah, espera, já sei: a inteligência não é para pensar senão nos assuntos do escritório, porque isso é que dá dinheiro ao fim do mês e um carrinho Mercedes descapotável, para eu, aos Domingos, ir passear a minha carequinha ao sol por Lisboa inteira. Ela bem merece, depois de todos os dias enfiados naquela porcaria de cubículo! Olha como reluz ao sol! Como me pude eu esquecer que a felicidade é estabilidade, é segurança, é certezas absolutas enraizadas no meu cerebrozinho controlado pela sociedade e pelas suas estipulações?!
De certeza que me irias dizer (se não fugisses da conversa com medo de, por momentos, veres que há outras ideias para além da tua, igualmente legítimas e não necessariamente melhores, porque isso é, adivinha, RELATIVO!) qualquer coisa do tipo: se toda a gente questionasse as leis, isso tornar-se-ia numa espécie de anarquia, na qual cada um faria o que mais lhe aprouvesse e onde a convivência não seria possível. Como se ela fosse, hoje em dia! Olha para as pessoas, Sellers! E não precisas de ir muito longe… Olha para o Smith, que quer internar a mãe! E questionar não é abolir radicalmente: é ANALISAR. Eu sei que esta palavra é já vaga para ti, mas coragem, homem! É diálogo. Achas que a sociedade não é já podre o suficiente?! Não se pensa, já, aceita-se sem mais. Compreender o outro pelo outro e não pelas leis. Um criminoso não o é porque matou alguém!!!! Isso é completamente IDIOTA! O resultado foi este, logo, és isto??? Mas que raio?! Uma pessoa é mais do que uma acção, meu! E pode tê-la feita por um bem maior, assim tido naquela situação. E então, Sellers? Se queres Direito, vamos, então, a Direito: legítima defesa não é condenável e, no entanto, o resultado é o mesmo: morte de um homem!!!!! E agora, Sellers?!?!?!?! Fica lá com o ossinho, eu só quero um PORQUÊ. E isso não é verdade absoluta, é só caminho para outros pensamentos. E mesmo que, num momento, acredite que essa é a afirmação que acho mais adequada (para uma cirscunstância), espero estar sempre apta a receber a visão dos outros e avaliá-la com espírito crítico ( o que é MUITO DIFERENTE DE DIZER, assim, sem mais, NÃO TENS RAZÃO E TU SABES ISSO).
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Uma certa culinária filosófica:
Receita rápida para se ser filósofo ou para se pensar filosoficamente:
Ingredientes:
[conceito ou conjunto de conceitos] - q.b.
2 [palavras eruditas]
1 [palavra filosofia]
Modo de Preparação:
"Gosto de bolachas [conceito 1] contudo, note-se que o aprimorado gosto pela oligarquia [palavras eruditas para satisfazer um senso comum de erudição, mesmo que estas não façam qualquer sentido], leva-me a preferir aquelas de água e sal [conceito 2]". [Afirmação que declara a verboreira como pensamento filosófico] Esta, pelo menos, é a minha filosofia.
Já está. :-) Simples e bastante filosófico.
Ingredientes:
[conceito ou conjunto de conceitos] - q.b.
2 [palavras eruditas]
1 [palavra filosofia]
Modo de Preparação:
"Gosto de bolachas [conceito 1] contudo, note-se que o aprimorado gosto pela oligarquia [palavras eruditas para satisfazer um senso comum de erudição, mesmo que estas não façam qualquer sentido], leva-me a preferir aquelas de água e sal [conceito 2]". [Afirmação que declara a verboreira como pensamento filosófico] Esta, pelo menos, é a minha filosofia.
Já está. :-) Simples e bastante filosófico.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Momentos do Sempre
Se o mundo é sempre o mesmo: grande, complexo, fantástico, ou talvez numa não-definição mais esclarecedora: “inapreensível”. Se já caímos e já nos levantámos. Se já magoámos e fomos magoados.Se já fomos instrumento e artesões. Se já fomos médicos e remédios.Se já fomos chefes e servos… Porque volta sempre o sofrimento do sempre? O desespero absolutista? O temor sem fim à vista?
Se já sabemos que vai e vem, se já sabemos que a vida são momentos e, por isso mesmo, finitos, porque insiste em aparecer, em morar no ser, essa presença absolutista do sempre?
Qual o verdadeiro valor, ou se quisermos, qual a certeza, ou mesmo, aquela certeza absoluta, aquela clarividência inabalável, quando num momento dizemos: “amo-te para sempre” ?
Se já sabemos que vai e vem, se já sabemos que a vida são momentos e, por isso mesmo, finitos, porque insiste em aparecer, em morar no ser, essa presença absolutista do sempre?
Qual o verdadeiro valor, ou se quisermos, qual a certeza, ou mesmo, aquela certeza absoluta, aquela clarividência inabalável, quando num momento dizemos: “amo-te para sempre” ?
sexta-feira, 17 de abril de 2009
A Mafalda existe, não acredita no cavalheirismo, e agradeceu (as palavras) - E por o ter feito, as consequências serão terríveis…
Tirânica condição, a da Filosofia, de se encontrar quotidianamente subjugada às nuvens e aos conjuntos opinativos sempre adornados para servir, de algum modo, uma qualquer estirpe de consolo/divertimento/piada/inutilidade. Nefelibatismos à parte, o que é a Filosofia, amigo (suminho)? é uma vontade de querer saber. Saber a sério: procurando os fundamentos. Não é uma repetição de "porquês" avulsos, como quem espirra quando está constipado, é antes uma "desbanalização do banal" (escreve assim no teste, suminho). Desbanalização do banal? Pois claro, como aquela que podemos encontrar no videozinho do youtube, se fizermos uma pesquisa por "o que é a Filosofia". Vá, pronto, está aqui (Suminhos da vida: o que interessa é a parte da Mafalda) - http://www.youtube.com/watch?v=rnTAB7YqupU
Ora, perante a fofura que, para mim, é evidente, da condição de possibilidade humana, que vem a ser o próprio humano, isto traduz implicações óbvias como a interactividade e comunhão (sim, temos que nos aturar). Já que assim se supõe que seja, então das melhores coisas que podemos receber (e dar também), será a da compreensão ao/do Outro.
Ora, a Mafalda desbanalizadora existe. Desbanaliza, pensa, interroga-se, coloca-se no lugar do Outro, e nunca se superioriza, é humilde. Isto traz a contrapartida de tornar a Mafalda rara e especial. A raridade é uma constatação de um facto (não é suminhos?); o especial já vem do que eu sinto. A Mafalda acha que o homem, por mais "decente" que possa ser, sucumbe à "beleza" da Helena Coelho promovida pelos cartazes da urbanização do “real”. Porque parece estar no sangue, na cabeça, nas hormonas... parece não poder haver "pureza na decência". Se calhar tem razão num ponto: O homem sucumbe, mas o cavalheirismo não; podem é existir gestos aparentemente cavalheiros, porque se a decência do cavalheirismo se deve à sinceridade, a sua eficácia é fidedigna e não pode ser confundida com galanteio.
É que, cara Mafalda (a que existe, em pele, ossinho, "xixinha", que sonha, projecta, cai, levanta, ri, chora, constrói, destrói.......) - a da "xixinha", portanto – O galã sedutor sucumbe às Helenas Coelh(a)s bonitas, atraentes, sexys, carnais... o cavalheiro enamorado não; O primeiro porque pensa que sabe, o segundo porque não sabe (mas sente).
Ó macho suminho, sabes porque é que as Helenas Coelhas da vida airada são as tuas mulheres de sonho? R.: O quê? Então não sei? então é a pernoca da Coelha que é boa! e aquela silhueta perfeita? e os olhos e cabelos? e a barriguinha? e as mamoquinhas esculpidas pelos deuses do Olímpo? Estás-me a dizer a mim, suminho macho, que eu não sei aquilo que gosto? R: De uma certa perspectiva, sim.
Para começar, não duvido que gostas muito do Photoshop. Depois, acho que gostas muito de imagens... muita foto, muito poster, muito papel... Depois acho que devias começar pela Helena Coelho (em pele e osso) e, finalmente, pergunto-me se ias gostar da Helena Coelho ou, pelo contrário, de uma qualquer parte ou partes dela: das mamas/pernas/rabiosque rijinho/olhinho azul/eventual parvoíce, porque, vá lá, são coisas um pouco diferentes (Helenas às postas, parceladas – parece uma descrição de Serial Killer, mas é puramente alegórico).
E o cavalheiro enamorado? Sabe? R: Não. Porquê?
Vamos a ele então, - perdoe-me o Camões - ao Amor (enamorado).
Então mas que raio de Amor é esse que se deixa explicar (em palavras)? que se percebe? que tem uma equação e um Q.I. explícitos e demonstráveis? Será a simpatia? A coxa? O olho azul? É o conjunto? Então mas é identificável? Aponta-se? Determina-se? E se ela ficar mais gorda um dia? e velha? Se ficar antipática? Morreu o Amor? Mas que maravilha! O amor matemático.
O amor de supermercado: onde há, após a ronda de vistoria rigorosa e selectiva às prateleiras, a escolha de ingredientes favoritos, junta-se água e já está! mas que poder!, eis o suprimento das nossas carências consumistas… falava-se de quê? Amor?!... Ó MEC chanfrado, aqui te invoco, porque, apesar de snob, escreveste sobre a “palmadinha nas costas” como eu gostaria de ter escrito:
"Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
(...) Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Elogio ao amor (Miguel Esteves Cardoso - Expresso )
E depois da bonança, eis a tempestade (“xixinha” mode fully engaged):
MAS DESDE QUANDO É QUE SE ESCOLHE QUEM SE AMA?!
E DESDE QUANDO SE ESCOLHE SEQUER O QUE SE SENTE?!
É QUE ISTO DE SENTIR COISAS, TEM QUE SAIR CÁ PARA FORA! PORQUE CORRÓI SE SE AMORDAÇA! PORQUE SE EXISTE NUM EXISTIR PULULANTE DE QUERER! E O GRANDE MAL É QUE ESSA EXTERIORIZAÇÃO É FEITA ATRAVÉS DE MISERÁVEIS PALAVRAS!!! NÃO HÁ ESCOLHA!! QUE CONVERSÃO REDUTORAMENTE HEDIONDA DO SENTIR ENCAPSULADO E ESCRAVIZADO EM ENTRELAÇAMENTOS DE INSUFICIENTES, ESCRAVIZADORAS, INEVITÁVEIS E SUFOCANTES PALAVRAS!!!
As palavras que leste, Mafalda, não se podem nunca agradecer. Nem sequer o sentir que as originou se pode louvar, porque nem esse pude escolher. Antes pudessem os olhos e as mãos dizer por mim: Para dizê-lo à Mafalda! Não se dirige à simpatia da Mafalda, nem às ideias da Mafalda, nem à perfeição da Mafalda! Como é que se dedica uma “Íris Goo Goo Dooliana” às ideias extraordinárias da Mafalda? Como é que se expressa um “and I’d give up forever to touch you, ‘cause I knew that you feel me somehow” ao sorriso da Mafalda!? As ideias não me fascinam a esse ponto, nem nunca tive nenhuma “queda” por bibliotecas, nem mesmo aquelas mais curvilíneas e bonitas. Há somente um SENTIR, e isso é tudo o que se precisa para saber e, consequentemente, para fazer. O que leste não é um elogio com o fim de te deleitar, de te mimar, de te fazer sorrir… É O QUE EU SINTO! E ISSO, NÃO SE AGRADECE!!!
P.S.: «Olhos de Mongol é uma expressão do escritor Henry Miller, para aquela empatia que existe quando conheces uma pessoa, estás a falar com ela pela primeira vez e há uma energia no olhar, toda aquela ligação um bocado inexplicável» - Linda Martini (banda portuguesa).
P.S.2: Diz lá menino, sim, porque ainda não tens aquela “experiência de vida”, não é? O que é o Amor?
«O Amor É Não Haver Polícia». Os Linda Martini encontraram a frase num livro de redacções infantis dos anos 50. A banda revê-se na sentença de um menino (então) com 10 anos.
Ora, perante a fofura que, para mim, é evidente, da condição de possibilidade humana, que vem a ser o próprio humano, isto traduz implicações óbvias como a interactividade e comunhão (sim, temos que nos aturar). Já que assim se supõe que seja, então das melhores coisas que podemos receber (e dar também), será a da compreensão ao/do Outro.
Ora, a Mafalda desbanalizadora existe. Desbanaliza, pensa, interroga-se, coloca-se no lugar do Outro, e nunca se superioriza, é humilde. Isto traz a contrapartida de tornar a Mafalda rara e especial. A raridade é uma constatação de um facto (não é suminhos?); o especial já vem do que eu sinto. A Mafalda acha que o homem, por mais "decente" que possa ser, sucumbe à "beleza" da Helena Coelho promovida pelos cartazes da urbanização do “real”. Porque parece estar no sangue, na cabeça, nas hormonas... parece não poder haver "pureza na decência". Se calhar tem razão num ponto: O homem sucumbe, mas o cavalheirismo não; podem é existir gestos aparentemente cavalheiros, porque se a decência do cavalheirismo se deve à sinceridade, a sua eficácia é fidedigna e não pode ser confundida com galanteio.
É que, cara Mafalda (a que existe, em pele, ossinho, "xixinha", que sonha, projecta, cai, levanta, ri, chora, constrói, destrói.......) - a da "xixinha", portanto – O galã sedutor sucumbe às Helenas Coelh(a)s bonitas, atraentes, sexys, carnais... o cavalheiro enamorado não; O primeiro porque pensa que sabe, o segundo porque não sabe (mas sente).
Ó macho suminho, sabes porque é que as Helenas Coelhas da vida airada são as tuas mulheres de sonho? R.: O quê? Então não sei? então é a pernoca da Coelha que é boa! e aquela silhueta perfeita? e os olhos e cabelos? e a barriguinha? e as mamoquinhas esculpidas pelos deuses do Olímpo? Estás-me a dizer a mim, suminho macho, que eu não sei aquilo que gosto? R: De uma certa perspectiva, sim.
Para começar, não duvido que gostas muito do Photoshop. Depois, acho que gostas muito de imagens... muita foto, muito poster, muito papel... Depois acho que devias começar pela Helena Coelho (em pele e osso) e, finalmente, pergunto-me se ias gostar da Helena Coelho ou, pelo contrário, de uma qualquer parte ou partes dela: das mamas/pernas/rabiosque rijinho/olhinho azul/eventual parvoíce, porque, vá lá, são coisas um pouco diferentes (Helenas às postas, parceladas – parece uma descrição de Serial Killer, mas é puramente alegórico).
E o cavalheiro enamorado? Sabe? R: Não. Porquê?
Vamos a ele então, - perdoe-me o Camões - ao Amor (enamorado).
Então mas que raio de Amor é esse que se deixa explicar (em palavras)? que se percebe? que tem uma equação e um Q.I. explícitos e demonstráveis? Será a simpatia? A coxa? O olho azul? É o conjunto? Então mas é identificável? Aponta-se? Determina-se? E se ela ficar mais gorda um dia? e velha? Se ficar antipática? Morreu o Amor? Mas que maravilha! O amor matemático.
O amor de supermercado: onde há, após a ronda de vistoria rigorosa e selectiva às prateleiras, a escolha de ingredientes favoritos, junta-se água e já está! mas que poder!, eis o suprimento das nossas carências consumistas… falava-se de quê? Amor?!... Ó MEC chanfrado, aqui te invoco, porque, apesar de snob, escreveste sobre a “palmadinha nas costas” como eu gostaria de ter escrito:
"Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
(...) Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Elogio ao amor (Miguel Esteves Cardoso - Expresso )
E depois da bonança, eis a tempestade (“xixinha” mode fully engaged):
MAS DESDE QUANDO É QUE SE ESCOLHE QUEM SE AMA?!
E DESDE QUANDO SE ESCOLHE SEQUER O QUE SE SENTE?!
É QUE ISTO DE SENTIR COISAS, TEM QUE SAIR CÁ PARA FORA! PORQUE CORRÓI SE SE AMORDAÇA! PORQUE SE EXISTE NUM EXISTIR PULULANTE DE QUERER! E O GRANDE MAL É QUE ESSA EXTERIORIZAÇÃO É FEITA ATRAVÉS DE MISERÁVEIS PALAVRAS!!! NÃO HÁ ESCOLHA!! QUE CONVERSÃO REDUTORAMENTE HEDIONDA DO SENTIR ENCAPSULADO E ESCRAVIZADO EM ENTRELAÇAMENTOS DE INSUFICIENTES, ESCRAVIZADORAS, INEVITÁVEIS E SUFOCANTES PALAVRAS!!!
As palavras que leste, Mafalda, não se podem nunca agradecer. Nem sequer o sentir que as originou se pode louvar, porque nem esse pude escolher. Antes pudessem os olhos e as mãos dizer por mim: Para dizê-lo à Mafalda! Não se dirige à simpatia da Mafalda, nem às ideias da Mafalda, nem à perfeição da Mafalda! Como é que se dedica uma “Íris Goo Goo Dooliana” às ideias extraordinárias da Mafalda? Como é que se expressa um “and I’d give up forever to touch you, ‘cause I knew that you feel me somehow” ao sorriso da Mafalda!? As ideias não me fascinam a esse ponto, nem nunca tive nenhuma “queda” por bibliotecas, nem mesmo aquelas mais curvilíneas e bonitas. Há somente um SENTIR, e isso é tudo o que se precisa para saber e, consequentemente, para fazer. O que leste não é um elogio com o fim de te deleitar, de te mimar, de te fazer sorrir… É O QUE EU SINTO! E ISSO, NÃO SE AGRADECE!!!
P.S.: «Olhos de Mongol é uma expressão do escritor Henry Miller, para aquela empatia que existe quando conheces uma pessoa, estás a falar com ela pela primeira vez e há uma energia no olhar, toda aquela ligação um bocado inexplicável» - Linda Martini (banda portuguesa).
P.S.2: Diz lá menino, sim, porque ainda não tens aquela “experiência de vida”, não é? O que é o Amor?
«O Amor É Não Haver Polícia». Os Linda Martini encontraram a frase num livro de redacções infantis dos anos 50. A banda revê-se na sentença de um menino (então) com 10 anos.
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