terça-feira, 6 de abril de 2010

L'oublie de l'être.

L'oublie de l'être.
É assim que me recordo dele. E é assim que vou pensando, de quando em vez, nestas 5 palavras que, na minha mente, vão ressoando com frequência.
Sim, Heidegger tem a sua importância mas, aqui, permitam-me, jogo o jogo de Descartes - olho uma palavra, uma capa, uma imagem, e penso - sem mais analisar, sem mais querer aprofundar o interior do livro que a contém.
Não se confunda, contudo, o resultado desde jogo com: um desprezo ignorante, preconceituoso, pouco sério ou pouco rigoroso. Não se trata de julgar, de retirar mérito, de ser impreciso ou até desrespeitoso para com o co-autor desta ordem de 5 palavras. Trata-se de pensar de novo com toda a legitimidade e honestidade, não para com o autor mas, para com o sujeito que pensa. Assim, avancemos.
Não se trata do esquecimento de um certo Ser (Deus) pois disso, nada se parece poder verdadeiramente dizer ou fundar-se sobre a menos, claro, que sejamos crentes e estejamos fundados na fé.
Mas nem todos o são e, talvez muito menos sejam aqueles que, de facto, o são, isto é, aqueles que, de facto, orientam a sua vida em torno de uma determinada ideia como seja, a ideia de Deus.
Antes, leio e penso “o esquecimento do ser” como um grito de alerta para toda a humanidade em geral.
Associo-o a um “não querer saber”. É uma associação inegável. Ser/Saber. Presunção de filósofo. Talvez. Mas, procuremos esclarecer.
Este esquecimento do ser revoltante (no espírito do mundo, bem como no espírito de quem o vê à luz da clarividência) é um esquecimento daquilo que “verdadeiramente é (mas atenção ou tempo, que não estamos apenas a falar de um é presente)”.
A dificuldade maior desta questão, prender-se-á talvez, com a razão para tal esquecimento do ser. Será um esquecimento por desleixo, desprezo, ignorância, medo? Deixemos por ora esta questão.
O ser-humano é, hoje, complexo e plural nos livros de antropologia filosófica. Em que outro lugar se pensa o ser, do ser-humano, em toda a sua potencialidade? A realização do ser deve-se, tão só, à realização da sua frustração (não completude). Esqueceu-se que o ser humano, afinal, é potencialidade mais do que mera facticidade profissional. Esqueceu-se que o ser humano deve ambicionar não apenas sentir mas SER tudo de todas as maneiras. Mas este dever ambicionar não se torna verdadeiramente ambição se, com ele, não co-existir (de forma não-latente, presente, capaz, passível) a realização mesma, daquilo que se ambiciona.
Ah... talvez também, o esquecimento do ser não se fique pelo ser que é humano. O esquecimento do ser por parte do ser humano com razão, e que transparece nas acções limitadas da sua potencialidade, quando este interage no mundo é, também, resultado do esquecimento do ser das coisas.
A primazia da funcionalidade preenche, hoje, todo o leque daquilo que é, será, foi, e poderá ser. Assim, a caneta É um instrumento de escrita. Mas nunca será/foi/é uma arma? Mas nunca será/foi/é um tubo? Mas nunca será/foi/é um foco de luz? Mas nunca será/foi/é um utensílio capilar?
“Ah sim…” - responderão - “Numa determinada circunstância, e agora que fala nisso, poderá ser sim…” e aqui, nesta pequena expressão, reside a expressividade desse esquecimento.
Sabe-se da potencialidade do ser mas, esquece-se.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pensando o pensar

Falemos, näo de um pensar do Mundo, näo de um pensar Ocidental, näo de um pensar Oriental, germânico, anglïstico, francês... Recusamos, assim, todo e qualquer pensar geograficamente engavetado, emoldurado, onde as excepcöes säo tantas e onde, apenas um contra-exemplo bastará para destruir uma proposicäo que se pretenda Universal;

Falamos, contudo, de um pensar que nos rodeia, seja ele por vezes humano ou näo, por vezes germânico ou näo, por vezes portuguës ou näo.

Notemos, também, que recusamos um pensar do mundo do tipo universal, nessa tal estranha figura da unidade.

Circunscrevemo-nos, assim, ao pensar que nos rodeia, cabendo pois, a quem a este pensamento se identificar, estabelecer as ligacöes que encontrar necessárias.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Duas cabeças pensam melhor do que uma?

Manuel José, selecionador nacional de Angola e antigo treinador do Benfica, não tem dúvidas quanto ao desfecho do clássico de domingo - o FC Porto é favorito.

JOSÉ CARLOS FREITAS E PAULO SÉRGIO


o.0

Eu não percebi. Não tem dúvidas quanto ao desfecho? O FC Porto é favorito? Não percebi.

Até porque, no final da entrevista, escreve-se:

R - Mas, quem vai ganhar?
MJ - Da forma como as coisas estão, a responsabilidade do FC Porto subiu, porque o Benfica tem muita gente lesionada a castigada e terá dificuldades em apresentar a melhor equipa. A responsabilidade do Benfica desceu, por causa disso, e pode ser um factor importante de equilíbrio que pode levar o Benfica a ganhar o jogo. Mas quem vai ganhar... não sei.


ZÉ E PAULO:

ONDE RAIO ESTÁ A AUSÊNCIA DE DÚVIDA QUANTO AO DESFECHO ???

Normal é ser estúpido I

O estranho:
Procuro um carregador para um portátil. Contudo, esse portátil é de linha empresarial, pelo que, talvez não exista tal carregador disponível ou, a estar, não será dos mais acessíveis... o que acha?

Normal:
Carregador? Cabo de alimentação e o alimentador, não?

O estranho:
Com certeza. :)

Normal:
Só vendo o portátil. Tem-lo consigo? [seria Tem-no porque o dito não conhecia o estranho de lado nenhum]

O estranho:
Não. Mas sei o nome do Modelo.

Normal:
Pois... mas sabe o nome do Modelo? [sim, o normal aqui, estranhou]

O estranho:
Sim. HP8530p. Elitebook.

Normal:
Poooooisss.... Para esse modelo é complicado... Já viu os carregadores de HP que temos?

O estranho:
Já. Não sei se servirão para este modelo.

Normal:
Poooooiss....

O estranho:
o.o

Normal:
É que isso depende da voltagem. Sabe a voltagem?

O estranho:
Acho que serão 120w.

Normal:
Poooois... se fosse 90W. Para 120W não temos nada. Só para carros.

O estranho:
Pronto... Obrigado.

A conversa repetiu-se em vários estabelecimentos da especialidade variada: Worten, Fnac, Vobis.

O estranho pergunta a outro estranho, e este logo lhe diz, estranhamente, que estava a ler que existiam várias voltagens... etc...etc... Uma conversa muito estranha.

Isso ajudou-o a não tomar decisões precipitadas. Afinal, e apesar de tudo, note-se que várias alternativas foram dadas pelo Normal:

Normal:
Eu não sei. Mas... deve ser este.

O estranho:
Porque o diz?

Normal:
Eu parece-me que este vai funcionar mas, se não for, você poderá trocar.


O estranho:
o.O [pensa já sem alento... "mas porquê essa escolha e não outra?"]



Depois de uma noite de sono, e frustrado da impossibilidade em se adquirir tal quimera, o estranho vai ao site da HP e procura um carregador para encomendar.
Nessa altura, encontra as diferentes possibilidades: 90w, 120w, 230w. Dizendo em voz alta:

O estranho:
É à escolha! É indiferente a voltagem!

Dirige-se a uma outra loja de especialidade e, desta vez, sem nada perguntar, encontra um carregador da HP de 90w que resolve comprar.

Após 3 Lojas, e 4 ou 5 funcionários diferentes - alguns com umas camisolas a dizer HP - unânimes: A voltagem interessa! Sem pestanejar, sem uma mínima hesitação. Todos, sem excepção, estavam absolutamente errados.

Enfim, é normal. É estupidamente normal.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Bem vinda. :-)

Geração Matrix (riam-se, máquinas, deste espectáculo de marionetas!): uma tragédia em acto ou como enlouquecer em 15 dias apenas!
1. Mãe do Mr. Smith (sentada na mesa de pequeno-almoço): Ainda bem que está cá em casa. É a única pessoa com quem aqui posso falar sem que me chame maluca.
1.1. Mr- Smith entra em cena: Mãe, saia daí que nós queremos tomar o pequeno-almoço.
(Pois é… Parece que o papelinho que tens a dizer que terminaste o curso de Direito e que sabes “muito” sobre o assunto – porque a quantidade é que define quem sabe e quem não sabe; queremos é números, certezas de merda que não têm qualquer sentido, mas nas quais acreditamos piamente porque nos deixamos dominar pelo medo de não ser alguém, como se não fôssemos já, sendo simplesmente! Mas, não, não podemos ser os diminuídos da sociedade, ai que dói tanto, o meu egozinho não aguenta tanta violência! O socialmente correcto é que é! Temos de mostrar, o ser já dá mais trabalho e eu tenho de estar no escritório cedo, não posso perder tempo com isso. Quero é manta beach! O pensar não está in nem nunca esteve.
Sim, querido Smith, se estivesses em frente de outras pessoas, então, sim, tratavas bem a tua querida mãezinha, não se vá pensar que não és pessoa respeitável, mas como ninguém está a ver, podes tratá-la abaixo de cão e congratular-te com isso. Se te fizessem o mesmo, choravas com todo o teu corpo injustiça; não sendo esse o caso, o que importa o outro? Não és tu quem sofre, por isso, que te deixem estar no teu canto de pó, que, não tarda, tens de ir para o escritório e não podes perder tempo a pensar nos outros.
Vê lá tu, Smith, que a tua mãe prefere a minha companhia, eu, pobre de mim, que de Direito não sei um boi (diminuída, já!), à tua, doutorazinha do Direito (ou deveria antes dizer, do Torto?!), esse grande curso que forma homens estrangulados pela própria gravata e mulheres, como tu, “politica e socialmente correctas” (se me conseguires explicar o que isso é… Mas NÃO! É assim porque sim, porque está estipulado nas leis e nos protocolos e esses é que contam! Pois… E que tal assim: ambos foram feitos por homens e, mais, REFEITOS. Pois, as leis mudam, não são absolutas. As tuas certezazinhas estão a ir pelo cano abaixo, é? Que peninha…). De que te serve ganhares a puta do dinheiro ao fim do mês se nem sequer consegues ser mais do que asco? Isso é que te devia ferir o ego, não era seres ou não socialmente reconhecida. A sociedade pensa em termos de utilidade, és objecto, és meio, és uma grandessíssima PILHA!!!!!!!!!!!!!!Mas tu não és uma pilha qualquer, não é? És uma pilha com um bom ordenado ao fim do mês e com um Mercedes descapotável. Quantas pilhas têm o mesmo? Ah, pois é!
2. Sellers: Não podes estar a trocar mensagens quando estão outras pessoas presentes, a conversar. (Mas porquê, se elas não estão a falar comigo?). Porque é um acto de egoísmo, deve dar-se atenção às pessoas. (E quem é que estipulou isso)
?) Não vamos começar a desconversar, pois não? (Diz-me lá quem é que diz isso, onde é que isso vem escrito e porque é que isso é legítimo) DIGO EU que sou teu pai, sou mais velho e tenho mais experiência! (Experiência de quê?! Eu prejudiquei alguém por acaso?) Prejudicaste porque não deste atenção! (Continuo sem perceber. E mesmo que tenha prejudicado, se a minha intenção não era essa, não podes dizer que eu fui egoísta). Posso sim porque o resultado é que conta. (Então quer dizer que uma pessoa que mate acidentalmente e outra que mate propositadamente estão, ambas, ao mesmo nível). Em Direito, são as duas condenadas porque o resultado foi o mesmo: um dano. (Isso é parvo. E se eu quiser fazer bem a uma pessoa e, acidentalmente, acabar por lhe fazer mal, também sou culpada?) QUERES DISCUTIR DIREITO COMIGO?!
(Não, quero discutir ética. Porque é que o Código é uma verdade absoluta?!) TU SABES QUE NÃO TENS RAZÃO (não, não sei, mas se me explicares porquê, eu talvez compreenda e mude de opinião, boa?)

FRASE DO DIA: “Tu TENS de te reger pelas leis e não pelos teus pensamentos éticos egoístas que achas estarem certos!! (E sai de cena o sellers) – atenção à contradição nos termos: éticos e egoístas. MORAL É QUE É, essa é que vem nos livros de Direito, qual Ética!

MAS O QUE É QUE SE PASSA?!?!?!? Ah, pois é, eu tenho que seguir aquilo que está estipulado, independentemente de concordar ou não, porque foram pessoas sábias que o estipularam. E se questionássemos isso? Não estou a pedir para abolir e para entrarmos numa anarquia, porra, estou só a pedir que me dês razões para eu acreditar nisso! Não se trata de ter razão ou não, de pôr em causa a inteligência do outro ou não, trata-se de diálogo!!!!!!!!!!!!! De tentar chegar a algum lado juntos e, mesmo que se não chegue, desbravar algum caminho. Será tão difícil assim? Qual é o problema em dizer: sim, pensando dessa maneira, será mais justo como dizes. Não se põem em causa as leis, pois é (ainda não percebi muito bem porquê, mas como és tu a dizer, deves ter razão, porque tu tens um diploma e eu não; ah, claro, e experiência de vida! Que interessa teres vivido mais se, durante todo este tempo, tens estado adormecido?!?!?!?!). Ah, espera, já sei: a inteligência não é para pensar senão nos assuntos do escritório, porque isso é que dá dinheiro ao fim do mês e um carrinho Mercedes descapotável, para eu, aos Domingos, ir passear a minha carequinha ao sol por Lisboa inteira. Ela bem merece, depois de todos os dias enfiados naquela porcaria de cubículo! Olha como reluz ao sol! Como me pude eu esquecer que a felicidade é estabilidade, é segurança, é certezas absolutas enraizadas no meu cerebrozinho controlado pela sociedade e pelas suas estipulações?!

De certeza que me irias dizer (se não fugisses da conversa com medo de, por momentos, veres que há outras ideias para além da tua, igualmente legítimas e não necessariamente melhores, porque isso é, adivinha, RELATIVO!) qualquer coisa do tipo: se toda a gente questionasse as leis, isso tornar-se-ia numa espécie de anarquia, na qual cada um faria o que mais lhe aprouvesse e onde a convivência não seria possível. Como se ela fosse, hoje em dia! Olha para as pessoas, Sellers! E não precisas de ir muito longe… Olha para o Smith, que quer internar a mãe! E questionar não é abolir radicalmente: é ANALISAR. Eu sei que esta palavra é já vaga para ti, mas coragem, homem! É diálogo. Achas que a sociedade não é já podre o suficiente?! Não se pensa, já, aceita-se sem mais. Compreender o outro pelo outro e não pelas leis. Um criminoso não o é porque matou alguém!!!! Isso é completamente IDIOTA! O resultado foi este, logo, és isto??? Mas que raio?! Uma pessoa é mais do que uma acção, meu! E pode tê-la feita por um bem maior, assim tido naquela situação. E então, Sellers? Se queres Direito, vamos, então, a Direito: legítima defesa não é condenável e, no entanto, o resultado é o mesmo: morte de um homem!!!!! E agora, Sellers?!?!?!?! Fica lá com o ossinho, eu só quero um PORQUÊ. E isso não é verdade absoluta, é só caminho para outros pensamentos. E mesmo que, num momento, acredite que essa é a afirmação que acho mais adequada (para uma cirscunstância), espero estar sempre apta a receber a visão dos outros e avaliá-la com espírito crítico ( o que é MUITO DIFERENTE DE DIZER, assim, sem mais, NÃO TENS RAZÃO E TU SABES ISSO).

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Uma certa culinária filosófica:

Receita rápida para se ser filósofo ou para se pensar filosoficamente:

Ingredientes:
[conceito ou conjunto de conceitos] - q.b.
2 [palavras eruditas]
1 [palavra filosofia]

Modo de Preparação:
"Gosto de bolachas [conceito 1] contudo, note-se que o aprimorado gosto pela oligarquia [palavras eruditas para satisfazer um senso comum de erudição, mesmo que estas não façam qualquer sentido], leva-me a preferir aquelas de água e sal [conceito 2]". [Afirmação que declara a verboreira como pensamento filosófico] Esta, pelo menos, é a minha filosofia.

Já está. :-) Simples e bastante filosófico.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Momentos do Sempre

Se o mundo é sempre o mesmo: grande, complexo, fantástico, ou talvez numa não-definição mais esclarecedora: “inapreensível”. Se já caímos e já nos levantámos. Se já magoámos e fomos magoados.Se já fomos instrumento e artesões. Se já fomos médicos e remédios.Se já fomos chefes e servos… Porque volta sempre o sofrimento do sempre? O desespero absolutista? O temor sem fim à vista?
Se já sabemos que vai e vem, se já sabemos que a vida são momentos e, por isso mesmo, finitos, porque insiste em aparecer, em morar no ser, essa presença absolutista do sempre?
Qual o verdadeiro valor, ou se quisermos, qual a certeza, ou mesmo, aquela certeza absoluta, aquela clarividência inabalável, quando num momento dizemos: “amo-te para sempre” ?