segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Soneto da separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.


Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Moraes

O AMOR ANTIGO

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige, nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade (Amar se aprende amando)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vodafone k4505 on ubuntu 10.04

0) In "Network Connections" select a 3G connection to configure. Leave the default options, and put your sim card PIN.

1) Go to: https://forge.betavine.net/frs/?group_id=12
2) Search for Ubuntu on the list and download and install: usb-modeswitch_0.9.7_i386.deb
3) Done? Next, download and install: ozerocdoff_0.4_i386.deb
4) Done as well? Next, Download and install vodafone-mobile-connect_2.25.01-1_all.deb
5) Connect your Vodafone K4505;

A successful connection should be available. :)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Oxalá você fosse a mulher da minha vida. II

Oxalá você fosse a mulher da minha vida;

E compreendesse que “Modigliani” não é um filme sobre a mais forte forma de amor;
Que “Into the Wild” não é sobre a descoberta de si;
Que “Dead Poets Society” não é sobre o despertar de quem queremos ser;
Que “Fight Club” não é sobre um clube de se verdadeiramente ser;

Oxalá, com clareza realizasse que, a verdadeira compreensão destas obras é contraditória à sua aquisição e colecção de prateleira;
Oxalá, você já tivesse visto um destes filmes ou lido um destes livros. Que o tenha feito, apenas uma vez e que, nesta altura, já esteja bem morta;

Morta de verdade.

Oxalá você fosse a mulher da minha vida. I

Oxalá você fosse a mulher da minha vida.

Oxalá, você visse o lance do guarda-redes espanhol Casilhas com a sua namorada e, de comoção, chorasse.

Não porque acreditasse que ali existiria um amor eterno, uma relação sólida ou até mesmo uma cumplicidade especial entre os dois mas, simplesmente, porque, naquele instante, naquele pequeno grande instante, nada mais interessou e, saíram os preconceitos, saíram as noções do espaço social onde estavam inseridos, aí, caiu o “social” o “normal” o “tem de ser” – tudo isso se relativizou, ou se realizou à sua verdadeira importância, à passagem desse grande pasmo amoroso.

Dirão agora os seguidores de Schopenhauer que, nesse instante, tudo não passaria de vontade de preservação da espécie? Pura orientação biológica? Que aquele seria o fim a que se destinaria?
Como estariam enganados.

Oxalá você já tivesse lido Schopenhauer.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ahhh ça me enerve

J’oublie le français.
Petit a petit...
La pont neuf, la rue d'écoles, le sacre cœur, le piano dans la sorbonne, saint malo, giulia, nicolas, reinaldo, le RER, la défense, La Plage..., putain... ça ne reviens plus. Perdu pour toujours, le esprit, le gens, les conversations... comme me manque les conversations... la pensée, la disponibilité, les promenades perdus ici et la, le chansons partagés, le petit riens...
Ici rien se passe. Ici chanqu'un dans son truc.
Ahhh! Ça m’énerve!

domingo, 25 de julho de 2010

Oh... egozinhos...

Oh! Pobres coitados esses egos fragilizados. Coitadinhos que, quando não sabem, em vez de o afirmarem, choram, gritam, esperneiam, contorcem-se, fogem, retraem-se...
É sem dúvida um problema psicológico esse de se chorar, ou invés de se afirmar: "não sei".
Contudo, não do psicológico privado, peculiar, particular. Esta, é uma patologia global.

A que se deve? Será que a uma certa necessidade de segurança, a uma certa necessidade de ter que ter razão para que, com ela, se possa "fundamentar" a sua vida?
A demência, caracteriza-se pela necessidade de se querer "ter razão" a qualquer custo, sem a qual, crê-se, esses "alicerces" sob os quais estão fundadas as suas mais basilares verborreias, cairiam.

Como em todos os jogos, por vezes, há maus perdedores.
O que os egozinhos não sabem é que, primeiro, não há jogo. Não havendo jogo, nada há a perder. E depois, esses alicerces, em que pensam estar fundados, são fumo pálido de uma visão turva num mero relance fugaz.

Paremos, contudo, com este nosso raciocínio que, agora, começa a exigir uma investigação. Isto, claro, para não fragilizarmos os egozinhos.

Coitadinhos.